A recente vaga de ataques informáticos que está a afetar sistemas de refrigeração de supermercados por toda a Europa, incluindo agora em Portugal, é mais um sinal de alerta que não podemos continuar a ignorar.

Há várias semanas, após incidentes semelhantes em França, a Cidadãos pela Cibersegurança (CpC) emitiu um aviso público sobre as vulnerabilidades da crescente conectividade na Internet das Coisas (IoT), com foco particular nos sistemas de refrigeração comercial. Apresentámos um conjunto de recomendações concretas para as empresas se protegerem, desde a segmentação de redes até à aplicação imediata de patches de segurança e formação dos colaboradores.

No entanto, os ataques deste fim de semana provam que esse alerta foi amplamente ignorado. Uma pesquisa na plataforma Shodan realizada pela CpC em outubro já tinha revelado dezenas de instalações de grandes retalhistas portugueses, incluindo o Intermarché, com sistemas de frio expostos na Internet sem as devidas salvaguardas. Ainda assim, parecem ter sido apanhados desprevenidos.

Não podemos continuar a falhar desta forma. A cibersegurança tem de ser uma prioridade estratégica para o setor da distribuição, encarada com o mesmo sentido de urgência com que encaram, por exemplo, a segurança alimentar.

Assim, a CpC vem por este meio reforçar o seu apelo a todos os retalhistas e operadores de cadeias de frio:

  1. Realizem com urgência auditorias de cibersegurança focadas nos sistemas de refrigeração e outros equipamentos conectados, para identificar e corrigir vulnerabilidades.
  2. Implementem uma arquitetura de Zero Trust, segmentando as redes de IoT das redes de IT tradicionais e limitando o acesso apenas ao indispensável.
  3. Subscrevam feeds de threat intelligence e apliquem imediatamente todos os patches de segurança logo que disponíveis.
  4. Sensibilizem e formem continuamente os vossos colaboradores sobre cibersegurança, com ênfase na deteção de anomalias nos sistemas.
  5. Estabeleçam parcerias com especialistas de cibersegurança e autoridades competentes para partilha de informação e resposta a incidentes.

Ignorar este problema já não é opção. Porque da próxima vez, as consequências podem ir muito além de alimentos estragados. Vamos agir antes que seja tarde demais.

A CpC continuará vigilante e disponível para colaborar com todas as partes interessadas na busca de soluções. Mas a principal responsabilidade recai sobre as empresas.

É hora de levar a cibersegurança a sério: Ontem.

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“A cibersegurança é a arte de proteger a informação digital sem restringir a inovação.”
— Satya Nadella