
Com base no ficheiro “Cibersegurança nos Programas dos Partidos Políticos para as Legislativas de 2025” que agrega as propostas que os partidos políticos apresentam a estas eleições nas áreas da cibersegurança e ciberdefesa e que podem ser lidas em https://docs.google.com/spreadsheets/d/1GBlQeJFpqn8QZgMWNJBLpa3PCjqxpiJR4i-Ti6K7ex8/edit?usp=sharing (com os programas que estavam publicados online a 22.04.2025).
A CpC: Iniciativa Cidadãos pela Cibersegurança apresenta a seguinte análise comparativa das propostas dos partidos na área da cibersegurança e ciberdefesa, focando nos partidos com maior profundidade nas propostas e na identificação dos que não abordam o tema.
Partidos com Propostas Mais Relevantes
1. LIVRE: 181 pontos
O partido LIVRE apresenta propostas centradas nos direitos digitais, privacidade e regulação de tecnologia:
- Propõe uma abordagem política baseada em princípios democráticos digitais.
- Rejeita vigilância em massa e defende código aberto para soluções públicas.
- Reforça o papel de entidades reguladoras como ANACOM e ERC no combate à desinformação.
- Quer tornar o Centro Nacional de Cibersegurança mais robusto e actuante.
- Defende medidas concretas sobre segurança na internet das coisas, proteção contra abusos de algoritmos e transparência nas plataformas digitais.
2. Partido Social Democrata (PSD): 177 pontos
O PSD apresenta o conjunto mais abrangente de propostas sobre cibersegurança e ciberdefesa. Entre as medidas destacam-se:
- Inclusão explícita de capítulos sobre cibersegurança e ciberdefesa.
- Referência a 9 vezes aos termos-chave.
- Propõe a maximização da resiliência cibernética da administração pública.
- Defende a formação tecnológica avançada, incluindo inteligência artificial e protecção de dados.
- Promove a criação de exercícios militares de ciberdefesa e introdução de medidas no treino das Forças Armadas.
- Apoia a revisão legal para combater a desinformação e cibercrime.
- Defende o reforço do CNCS (Centro Nacional de Cibersegurança) e a conclusão da transposição da Directiva NIS2.
3. Partido Socialista (PS): 170 pontos
O PS também apresenta um programa detalhado:
- Inclui capítulo sobre cibersegurança (mas não sobre ciberdefesa).
- Refere o tema 13 vezes — o número mais elevado entre os partidos.
- Destaca o investimento na cibersegurança do Estado, medidas específicas para meios de comunicação social, e uma estratégia de certificação digital.
- Defende a formação multisscetorial em cibersegurança, desde a administração pública ao setor privado.
- Propõe a resiliência digital e a defesa dos direitos digitais dos cidadãos.
3. Iniciativa Liberal (IL): 129 pontos
A IL destaca-se por propostas com foco em ciberdefesa soberana e capacitação tecnológica:
- Inclui capítulo de cibersegurança, com 10 referências diretas.
- Defende formação militar e civil especializada para mitigar riscos cibernéticos.
- Liga a cibersegurança à estratégia de defesa nacional, incluindo uso de IA.
- Valoriza a transparência e segurança no desenvolvimento tecnológico e defesa digital do país.
Partidos que Não Abordam o Tema
Alguns partidos, a 22.04.2025 ainda não tinham apresentado programa eleitoral e, a avaliar pelas últimas eleições não o farão para estas Legislativas de 2025. Outros, apresentaram programa mas têm pontuações extremamente baixas: é o caso de PCP, Bloco de Esquerda, PAN, ADN. Com uma pontuação ligeiramente superior temos CHEGA. Ombreando com os “grandes” temos o VOLT com uns muitos dignos 123 pontos (a IL tem 129).
Análise Temática
1. Defesa e Ciberdefesa
Os partidos com propostas mais claras e estratégicas nesta área são:
- PSD: propõe integrar elementos de ciberdefesa em exercícios militares, criar unidades especializadas nas Forças Armadas e definir doutrina operacional contra ameaças híbridas.
- PS: quer investir na resiliência digital do Estado e reforçar a capacidade de resposta em ciberdefesa.
- IL: reforça a formação militar e civil, defende o combate a ameaças híbridas e o desenvolvimento de competências em inteligência artificial para defesa.
- CHEGA: defende a revitalização da indústria de defesa e a criação de mecanismos de proteção de dados dos cidadãos em contexto de defesa nacional.
2. Privacidade e Proteção de Dados
Este tema ganha especial atenção em:
- LIVRE: apresenta uma agenda digital centrada na privacidade: quer impedir vigilância em massa, garantir a configuração de privacidade por defeito nos serviços e impedir backdoors em sistemas encriptados.
- PSD: propõe reforçar a proteção de dados pessoais e aumentar a cibersegurança na comunicação social.
- PS: investe na segurança digital de serviços públicos e ferramentas como a Chave Móvel Digital.
3. Legislação e Regulação
Na frente legislativa, destacam-se:
- PSD e PS: defendem a transposição urgente da Diretiva Europeia NIS2 com envolvimento legislativo participado.
- VOLT: propõe actualizar as leis de transparência e reforçar medidas contra desinformação.
- LIVRE: quer estabelecer regras claras sobre algoritmos, proteção de dados e combater abusos tecnológicos por grandes plataformas.
4. Cidadania e Direitos Digitais
Aqui os protagonistas são:
- LIVRE: propõe garantir o direito ao esquecimento, à transparência algorítmica e à interoperabilidade entre plataformas, além de exigir que código público seja de código aberto.
- PS e PSD: apostam em educação digital e capacitação transversal para todas as idades, com foco no combate à exclusão e sensibilização para a cibersegurança.
Fichas Individuais dos Três Principais Partidos deste Ranking
PSD (177 pontos)
- Forte componente de ciberdefesa nacional.
- Envolvimento legislativo (Diretiva NIS2).
- Aposta em formação, exercícios militares, e combate ao cibercrime.
- Incentiva resiliência digital da administração pública.
PS (170 pontos)
- Visão estratégica transversal: certificações digitais, formação, identidade digital segura.
- Propõe cooperação com autarquias e reforço da cibersegurança no setor público.
- Preocupação com a cibersegurança nos media.
IL (136 pontos)
- Abordagem liberal com foco em capacitação tecnológica e defesa digital soberana.
- Propõe formação de qualidade com enfoque militar e inteligência artificial.
- Quer preparar o país para ameaças híbridas.
Alguns partidos, a 22.04.2025 ainda não tinham apresentado programa eleitoral e, a avaliar pelas últimas eleições não o farão para estas Legislativas de 2025. Outros, apresentaram programa mas têm pontuações extremamente baixas: é o caso de PCP, Bloco de Esquerda, PAN, ADN. Com uma pontuação ligeiramente superior temos CHEGA. Ombreando com os “grandes” temos o VOLT com uns muitos dignos 123 pontos (a IL tem 129).
Conclusão
A análise comparativa dos programas eleitorais dos partidos políticos para as Legislativas de 2025 revela uma crescente consciencialização sobre a importância estratégica da cibersegurança e da ciberdefesa em Portugal. Os partidos com maior expressão parlamentar (PSD e PS) apresentam propostas robustas e diversificadas, abordando tanto a protecção das infraestruturas do Estado como a capacitação digital da sociedade. Destaca-se também a abordagem liberal e tecnicamente orientada da Iniciativa Liberal, assim como a perspetiva centrada nos direitos digitais e na transparência tecnológica do LIVRE.
Esta diversidade de focos contribui para um debate político mais amadureçido sobre os desafios do ciberespaço, mas também evidencia algumas lacunas muito notáveis: vários partidos continuam a ignorar por completo estas temáticas, o que é preocupante face à crescente dependência digital das instituições, das empresas e dos cidadãos.
Num momento em que a cibersegurança se tornou inseparável da soberania nacional, da protecção da democracia e da salvaguarda dos direitos fundamentais, torna-se imperativo exigir aos representantes políticos propostas claras, exequíveis e com visão de futuro. A CpC: Iniciativa Cidadãos pela Cibersegurança espera que esta análise contribua para informar o debate público e para valorizar, nas urnas, os programas mais comprometidos com um futuro digital seguro, democrático e resiliente.

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