De acordo com o BND (o Bundesnachrichtendienst o serviço de informações externas da República Federal Alemã), a Rússia teve activas três operações distintas e paralelas nas redes sociais para influenciar as eleições alemãs e que parcialmente na base da duplicação de votos no partido alemão pró-Russo AfD (“Alternativa para a Alemanha”):
1ª A Doppelgänger que divulgou conteúdos replicados da narrativa pró-russa criando sites que imitam os nomes e os layouts gráficos de meios de comunicação social reais alemães.
2ª A Operação Overload destinada a enganar factcheckers que trabalham para media alemães.
3ª A Storm-1516 que espalhou notícias falsas acerca dos candidatos dos Verdes e da CDU (centro-direita). A campanha tem o nome de um grupo que esteve também activo nas eleições presidenciais de 20234
Esta campanha foi confirmada a 21 de fevereiro pelo ministro do interior alemão com a indicação do propósito: influenciar as eleições alemãs.
Um dos vídeos usados pela Doppelgänger promovia um vídeo onde um candidato do partido pró-russo AfD era impedido de votar em Leipzig. Os conteúdos publicados pelo Storm-1516 espalhavam mentiras no facebook e TikTok com relatos sensacionalistas em sites que replicam o layout de jornais e televisões alemãs.
Segundo investigadores alemães existiriam, na véspera das eleições de 23.02.2025 mais de 700 contas falsas promovendo este tipo de narrativas e conteúdos pró-russos. A estas operações há, contudo, que somar todos os posts de Musk na X (twitter) fazendo campanha activa pela AfD e abusando do algoritmo desta rede social que destaca tudo o que seu proprietário publica.
A CpC: Iniciativa Cidadãos pela Cibersegurança acredita que a União Europeia (UE) deve adoptar uma série de medidas para prevenir a repetição de tais campanhas de desinformação e manipulação de eleições na Alemanha e todos os países europeus e que:
1. Aplicar o “Digital Services Act (DSA)”, que visa regular as plataformas digitais para garantir que sejam responsabilizadas pela desinformação. A legislação deve ser reforçada para exigir transparência completa das campanhas publicitárias políticas e de influência. Plataformas como X (anteriormente Twitter), Facebook, TikTok e outras devem ser obrigadas a identificar e remover rapidamente contas falsas ou automatizadas e a publicar relatórios sobre as operações de desinformação.
2. Desenvolver uma rede de inteligência transnacional entre os países da UE, para identificar e desmantelar redes de desinformação externas e a partilha de informações sobre os agentes de influência e a investigação das técnicas usadas para manipular as eleições.
3. Investir em programas de “educação” e “literacia digital” entre todos os cidadãos e, em particular junto dos mais jovens e idosos para melhorar a literacia informática da população. A educação sobre como identificar desinformação e como verificar fontes seria vital, especialmente durante períodos eleitorais.
4. A Comissão Europeia deveria exigir mais fiscalização das plataformas de redes sociais, com auditorias independentes para garantir que as empresas de tecnologia estão a cumprir com as suas obrigações de eliminar conteúdo manipulado e contas falsas. Além disso, é necessário implementar sistemas automáticos de “detecção de bots” e de “falsificação de identidade”.
5. Em resposta a campanhas de desinformação de actores estrangeiros, a UE deve ter uma estratégia clara para impor sanções fortes e eficazes contra quem tenta influenciar as eleições dos Estados Membros.
6. A UE deve apoiar financeiramente as organizações independentes de verificação de factos (fact-checkers) por forma a detectar e refutar rapidamente as fake news.
7. O financiamento de campanhas políticas deve ser mais rigorosamente auditado, e a UE deve introduzir medidas para garantir que os partidos políticos não sejam indevidamente influenciados por fontes externas.
8. Por fim, a utilização do poder de figuras públicas, como Elon Musk, para influenciar resultados eleitorais deve ser abordada. A UE pode exigir que as plataformas sociais revelem informações detalhadas sobre o algoritmo de promoção dos seus posts e o impacto social e eleitoral das suas publicações.

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