A manipulação flagrante por parte do candidato pró-russo na Roménia (ver https://cidadaospelaciberseguranca.com/2024/12/18/manipulacao-eleitoral-no-tiktok-riscos-para-a-democracia-e-desafios-na-era-digital/), a participação cada vez maior e mais influente do “presidente-sombra” Elon Musk na sua rede social X/Twitter levaram a que a Comissão Europeia (CE) tenha admitido que estava a analisar de forma “energética” a desinformação nesta rede social e até que ponto em que as publicações que favorecem a extrema direita e as teses pró-russas.

Segundo a Bloomberg é provável que, nos próximos meses, a União Europeia ordene à rede social de Musk mudanças no que respeita à moderação de conteúdos e decida quanto a violações do “Digital Services Act” (DSA) europeu. Segundo o DSA as grandes plataformas têm que possuir uma moderação de conteúdos muito activa e padrões transparentes que garantam a segurança dos seus utilizadores, reduza a quantidade de informações e notícias falsas e impeçam conteúdos que prejudiquem ou criem danos nos seus utilizadores.

Desde que adquiriu o Twitter (agora X), Elon Musk tem-se envolvido mais na política de extrema direita, apoiando Donald Trump e figuras similares globalmente e, em particular, na Europa. Recentemente, publicou conteúdos controversos relacionados com “gangues de grooming” no Reino Unido e apoiou a líder da extrema-direita alemã (AfD), Alice Weidel.

A CE investiga se a X manipula discursos cívicos e eleições, podendo aplicar multas de até 6% da receita global ou exigir mudanças na plataforma. Líderes europeus, como o ministro francês Jean-Noel Barrot, pedem também medidas firmes para proteger o processo democrático no continente de interferências estrangeiras.

Apesar de críticas à falta de moderadores humanos, Musk e a CEO da X, Linda Yaccarino, defendem o sistema de “Community Notes” como solução para moderação de conteúdos. Yaccarino afirmou que 90% dos anunciantes voltaram à X graças a essas ferramentas, embora dados de 2024 mostrem que muitos grandes anunciantes ainda evitam a plataforma. Recentemente, soube-se que a Meta (Facebook) iria abandonar o seu factchecking (por motivações políticas assumidas pelo próprio Mark Zuckerberg) em prol de um sistema idêntico ao do X (e tão limitado como este).

A CpC: Iniciativa Cidadã pela Cibersegurança duvida da eficácia do modelo das “Community Notes”, apontando que alguns utilizadores tóxicos sabotam o sistema ao rejeitarem fact-checks por motivos políticos. A investigação da CE poderá expor falhas neste sistema ou reforçar a posição da X como líder em moderação colaborativa.

Como apresentámos recentemente no Parlamento (https://cidadaospelaciberseguranca.com/2024/12/29/a-cpc-esteve-no-parlamento-em-16-e-17-de-dezembro-de-2024/) acreditamos que a obrigatoriedade de tornar os algoritmos dos feeds de redes sociais públicos pode trazer diversas vantagens, principalmente no que diz respeito à transparência, à equidade e ao impacto social:
1. Transparência:
Os utilizadores poderiam compreender como é que os seus feeds são organizados o que permitiria um uso mais consciente das redes sociais.
2. Responsabilidade:
As empresas de redes sociais seriam obrigadas a justificar as decisões tomadas pelo algoritmo, reduzindo possíveis abusos ou manipulações.
3. Identificação de preconceitos:
Tornar os algoritmos públicos permitiria detectar distorções discriminatórias, como discriminação racial, de género ou socioeconómicas.
5. Equidade:
Com mais olhos observando os sistemas, as empresas seriam incentivadas a construir algoritmos mais justos.
6. Prevenção de manipulação:
A abertura do código facilitaria identificar e corrigir mecanismos que favoreçam a disseminação de fake news ou discursos de ódio.
7. Incentivo à inovação:
Investigadores da Academia poderiam estudar os algoritmos e propor melhorias.
8. Concorrência saudável:
As Empresas de redes sociais de menor dimensão poderiam competir mais equitativamente, promovendo inovação no setor.
9. Personalização consciente:
Os utilizadores teriam mais controle sobre como é que os seus feeds são organizados, ajustando os critérios de relevância.
10. Governança pública:
Os reguladores poderiam avaliar se os algoritmos estão a respeitar normas éticas e legais, especialmente em questões como privacidade e discriminação.

Embora existam muitas vantagens, esta proposta de obrigar à publicação do algoritmo que determina o feed das redes sociais apresenta desafios, como a protecção da propriedade intelectual, o risco de exploração maliciosa dos algoritmos por agentes de desinformação e, sobretudo, a complexidade técnica de traduzir sistemas avançados (como aprendizado de máquina) em algo compreensível pelo público. Apesar destes desafios acreditamos que as vantagens sobrepõe claramente estas dificuldades especialmente se tivermos em conta o risco que actualmente redes sociais como o Facebook, X ou TikTok representam para a democracia no mundo.

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— Satya Nadella